Quinta, 23 de novembro de 2017
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O impacto sócio-econômico da Osteoporose

O impacto sócio-econômico promovido pela osteoporose aumenta à medida que a população envelhece, em virtude das conseqüências nefastas desta doença e suas complicações.

Em 1988, cerca de 15 mil fraturas do quadril foram registradas no Canadá, em ambos os sexos, projetando-se que 1,4 milhões de canadenses acima de 50 anos eram acometidos por osteoporose. Em 1993, essa cifra elevou-se para 25 mil.

Nas diferentes casuísticas estudadas, as fraturas de fêmur podem evoluir para óbito (12 a 25%) no primeiro ano pós-fratura, em decorrência de complicações relacionadas ao tempo que os pacientes permanecem no chão, aguardando socorro, ao tempo de imobilização no leito, às infecções respiratórias e a microembolia, geralmente gordurosa.

Na idade de 80 anos, 32% das mulheres e 17% dos homens são acometidos por fraturas de quadril, enquanto 42% das mulheres apresentam fraturas vertebrais.

Acompanhamento de cinco anos verificou uma sobrevida de 61% na população com fraturas secundárias a osteoporose, contra 76% de uma população controle. A patogenia destas fraturas relaciona-se a dois determinantes principais: Trauma e Diminuição da resistência óssea (massa + qualidade de microarquitetura).

O impacto social da osteoporose deve ser avaliado através de sua morbilidade, mortalidade e pelos custos diretos e indiretos resultantes dos diferentes programas assistenciais.

É difícil quantificar a morbilidade das fraturas osteoporóticas, contudo, estima-se que 6,7% das mulheres, após fraturas, ficam dependentes no desenvolvimento de suas atividades de rotina.

A avaliação do custo econômico total é também de difícil abordagem: admissão hospitalar, atenção ambulatorial, absenteísmo, além de despesas resultantes de implicações no atendimento domiciliar como, por exemplo, cuidados de enfermagem e reabilitação.

Os custos anuais do atendimento à osteoporose foram estimados, em 1990, em 100-150 milhões de dólares no Canadá e entre 7-10 bilhões nos Estados Unidos.

Com a constatação de que o crescimento da população idosa aumenta a cada dia e, a manter-se esta projeção, teremos nos próximos anos uma paciente osteoporótica em cada quatro mulheres caucasóides. Este crescimento populacional na faixa da terceira idade prevê um notável aumento na prevalência da osteoporose e suas complicações, tornando-a efetivo problema de saúde pública, por comprometer a independência funcional da mulher e de sua qualidade de vida.

Cerca de 66% das fraturas de fêmur evoluem sem comprometimento da independência do paciente, que se movimenta sem qualquer auxilio; porém, do grupo restante, cerca de 23% decorridos o primeiro ano pós fratura tendem a ter complicações que os confine ao leito ou à cadeira de rodas.

Considerando-se os mecanismos que interferem com a velocidade de perda de massa óssea nos diferentes indivíduos, reconhece-se que em 70% dos casos o principal determinante é a predisposição genética.

Os restantes 30% são influenciados por fatores ambientais ou individuais, reconhecidos como fatores predisponentes ou de risco. Alguns desses estão bem estabelecidos como sexo feminino, hipoestrogenismo, raça caucasóide, baixa massa muscular, idade e diminuição de massa óssea verificada pela densitometria.

Perda de massa óssea

Sexo Feminino
Hipoestrogenismo
Raça Caucasóide
Baixa Massa Óssea
Baixa Massa Muscular
Sedentarismo
Alcool e Fumo
Baixa ingestão de cálcio
Consumo de cafeina

Embora diferentes casuísticas atribuam valores distintos aos fatores de risco, na maioria das vezes outras condições não tão bem estabelecidas podem se apresentar como predisponentes à osteoporose: sedentarismo, baixa ingestão de cálcio na dieta, história de osteoporose na família, antecedentes de fratura patológica, etilismo, tabagismo, consumo de cafeína, nuliparidade e estresse emocional.

Atualmente, devem ser considerados como fatores de risco críticos para a osteoporose:

  1. verificação de densidade mineral óssea ( DMO ) entre menos de 1,5 e nemos de 2,5 DP demonstrados pela densitometria óssea;
  2. verificação de fratura vertebral, ou deformidade vertebral através da avaliação radiológica;
  3. hipoestrogenismo não compensado;
  4. uso crônico de corticosteróides ( acima de 5 mg prednisona ao dia )

A avaliação destas condições na abordagem do paciente permite, a configuração do seu perfil e, dessa maneira, a composição de um dignóstico de presunção e precoce, da osteoporose, permitindo assim a introdução das medidas terapêuticas adequadas a cada paciente.

Melhore a qualidade do seu envelhecimento. Previna-se.

João Francisco Marques Neto (Reumatologista)
Prof. Titular de Reumatologia da FCM/UNICAMP
Consultor do Ministério da Saúde
Presidente-eleito da Sociedade Brasileira de Osteoporose (SOBRAO)