Quinta, 23 de novembro de 2017
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Conceituação

A osteoporose é uma Doença Osteometabólica, caracterizada por diminuição progressiva da massa óssea, com modificações na arquitetura trabecular, levando à diminuição da resistência óssea e a um maior risco de fraturas, em presença de traumas de baixa energia ou menor impacto.

Duas são as formas clássicas de Osteoporose: a fisiológica ou primária e outra, secundária, geralmente causada por outras doenças.

A forma primária da osteoporose classifica-se em:

  • Tipo I : de alta reabsorção óssea, decorrente de uma atividade osteoclástica acelerada - a osteoporose pós menopausa, geralmente apresentada por mulheres mais jovens, a partir dos 50 anos.
  • Tipo II : de reabsorção óssea normal ou ligeiramente aumentada, associada a uma atividade osteoblástica diminuída, com formação óssea diminuída - a osteoporose senil ou de involução, mais frequente nas mulheres mais idosas, a partir dos 70 anos, e também no homem.

A osteoporose pós-menopausa ou Tipo I está associada à insuficiência estrogênica do climatério, ou condições que induzem precocemente ao hipoestrogenismo (diminuição de estrógenos). Ocorre em aproximadamente 25% das mulheres caucasóides, geralmente nas duas primeiras décadas após o início da menopausa, sendo que as primeiras alterações na velocidade de perda de massa óssea já se demonstram cerca de três a cinco anos antes do término do período menstrual. Durante o período de perimenopausa, a perda de massa óssea pode aumentar em um grupo de mulheres classificadas como perdedoras rápidas, podendo atingir, por ano, até 5% do volume ósseo total do organismo.

Esta velocidade de perda ocorre mais no osso trabecular que no cortical, sendo, portanto, seus efeitos mais evidentes na coluna do que nos ossos periféricos; tal ocorrência se justifica pelo fato do osso trabecular apresentar um número maior de trabéculas ósseas e superfícies de reabsorção, que o cortical. Daí a grande freqüência das fraturas vertebrais.

Corte de osso do colo do fêmur

  Normal com Osteoporose

A osteoporose Tipo II, senil ou de involução, acomete indistintamente homens e mulheres acima dos 70 anos, em ambos os tipos de ossos, trabecular e cortical. Em decorrência deste fato podem ocorrer fraturas, não apenas na coluna vertebral, como também na pelve, ossos longos, costelas, quadril e punho.

A partir de março de 1999, RIGGS et al., em uma publicação científica, passaram a propor em não mais se utilizar a sinonímia osteoporose tipo I e tipo II, substituindo-as por um conceito unitário de osteoporose primária.

É mais sensato considerar que os indivíduos, em determinadas fases da vida, apresentam maior atividade osteoclástica ou menor atividade osteoblástica, o que explicaria o conceito unitário de osteoporose.

A forma secundária está associada a uma grande variedade de condições mórbidas primárias, que acarretam, em sua evolução, distúrbios na absorção intestinal de cálcio, diminuição precoce nos níveis de estrogeno (hipoestrogenismo), perda de massa muscular, diminuição da atividade do sistema enzimático citocromo P450, baixa absorção e metabolização da vitamina D.

São causas de osteoporose secundária as enfermidades do sistema endócrino (tireoidopatias, hipogonadismo, hipopituitarismo, síndrome de Cushing, diabetes, hiperparatireoidismo), o câncer (metástases, mieloma múltiplo), as doenças inflamatórias crônicas intestinais, as cirurgias gástricas e do sistema digestivo, o sedentarismo, a ingestão de alguns medicamentos (heparina, corticosteróides, retinóides, extratos tireoideanos, lítio, cádmio, metotrexate, hidantoinatos e gardenal), as doenças renais crônicas, as doenças difusas do tecido conectivo, a síndrome de má absorção e a baixa ingestão de cálcio.

Em qualquer dessas formas, a osteoporose cursa assintomática por longos períodos. As primeiras manifestações clínicas ocorrem quando já houve perda de 30% a 40% da massa óssea.

Com o aumento da expectativa de vida, o número de idosos vem aumentando em todas as regiões geográficas e, com isso, também a prevalência da osteoporose. Esta, por sua vez, em função, principalmente das fraturas de fêmur e vértebra, diminui criticamente a qualidade de vida, principalmente na mulher, na terceira idade.

De todos os tipos de fraturas, as mais facilmente identificadas e avaliadas em estudos epidemiológicos são as do fêmur.

Verifica-se que o número de fraturas de vértebras e do fêmur evolui exponencialmente com a idade, já que o envelhecimento traz uma série de condições favorecedoras para um número maior de quedas.

Entre as mulheres estudadas na população norte-americana após a menopausa, o risco de queda anual cresce de um para cinco, na faixa dos 60 aos 64 anos. O aumento de fraturas com a idade deve estar diretamente associado às alterações de qualidade da arquitetura e do trabeculado ósseo, levando à diminuição da resistência óssea. Essa ocorre em ambos os sexos, sendo, contudo, mais grave no feminino.

Em 1990 foi estimado um número de 323 milhões de indivíduos acima de 65 anos, projetando-se para o ano de 2050 um aumento para 1271 milhões de idosos. Presume-se que o contingente de mulheres caucasóides, perdedoras rápidas de massa óssea (de 2 a 4% ao ano) e, portanto, susceptíveis de serem acometidas por osteoporose, atinja a cifra de 25 a 30% na faixa dos 40 aos 50 anos. Estima-se que aos 60 anos, uma em cada quatro mulheres sofra de osteoporose e, aos 75 anos , duas em três.

No homem, a perda de massa óssea é mais lenta que na mulher, sendo que a osteoporose primária manifestar-se-á, via de regra, somente após os 70 anos. Neste grupo, a espoliação óssea é gradual, não se acelerando, como ocorre com a mulher devido a sua menopausa.

Com o aumento da idade, efetivamente ocorre um aumento na incidência de fraturas em ambos os sexos estando estas ligadas a diminuição da massa óssea; entretanto, nem todas as fraturas podem ser atribuídas somente à perda de massa óssea pela idade.

No idoso, o uso de psicotrópicos, hipotensores e outras drogas podem facilitar a ocorrência de quedas dadas às alterações induzidas nas funções cognitivas, o que dificulta o equilíbrio e a marcha, sobretudo à noite.

Procure viver de uma maneira saudável e segura. Desfrute a vida.

João Francisco Marques Neto (Reumatologista)
Prof. Titular de Reumatologia da FCM/UNICAMP
Consultor do Ministério da Saúde
Presidente-eleito da Sociedade Brasileira de Osteoporose (SOBRAO)